Nota Policial

REGIÃO: Travesti que tentou invadir prédio foi morta por zelador asfixiada com 'mata-leão', diz B.O.

REGIÃO: Travesti que tentou invadir prédio foi morta por zelador asfixiada com 'mata-leão', diz B.O.

Travesti é morta durante invasão a prédio em São Carlos — Foto: Bruno Moraes/acidade on

Funcionário do condomínio em São Carlos (SP) chegou a ser preso, mas foi solto após audiência de custódia. Homicídio aconteceu no bairro Parque Faber, na segunda (21).

A travesti Amanda Eduarda, de 28 anos, morta ao tentar invadir um prédio no bairro Parque Faber, em São Carlos (SP), na manhã de segunda-feira (21), faleceu em decorrência de asfixia provocada por um golpe 'mata-leão'.

A informação consta do atestado de óbito feito pela médica legista de plantão e que foi anexado ao boletim de ocorrência do caso.

O zelador do prédio chegou a ser preso, mas foi solto após passar por audiência de custódia e responderá o processo em liberdade.

Ele deverá seguir medidas cautelares, como comparecer mensalmente em juízo e a todos os atos do processo, não mudar de endereço sem comunicação ao juízo e manter o endereço atualizado, sob pena de revogação do benefício.

De acordo com as testemunhas ouvidas pela polícia, Amanda apresentava comportamento agressivo e havia tentando entrar no shopping Iguatemi, onde foi barrada. Ela, então, teria ido até o edifício localizado nas proximidades e entrado pela janela.

Na tentantiva de contê-la, o zelador do prédio deu um "mata-leão", derrubando-a no chão e a segurando com o joelho sobre o seu tórax. A ação foi filmada por câmeras de vigilância.

A Polícia Militar foi acionada e os policias encontraram a vítima desacordada. Os policiais prestaram os primeiros-socorros e fizeram massagem cardíaca sem sucesso. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência também foi chamado e atestou o óbito.

O corpo da travesti foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de São Carlos. O laudo apontou que a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação indireta decorrente do golpe "mata-leão".

ONG pede investigação rigorosa

A ONG Associação da Parada da Diversidade São Carlos (APOLGBT) se manifestou por meio das redes sociais, lamentando a morte de Amanda e pedindo apuração rigorosa e transparente sobre os motivos da morte.

Veja a nota na íntegra:

"Com profundo pesar, a APOLGBT São Carlos lamenta a perda de Amanda Eduarda, 28 anos, que nos deixou esta manhã.

Infelizmente, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. A estatística é cruel: a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos.

Mas não aceitaremos essas estatísticas como destino! Continuamos lutando para vencer esses números, para garantir direitos, respeito e vida para nossa comunidade.

Exigimos investigação rigorosa e transparente para apurar os verdadeiros motivos deste óbito.

Reclamamos posicionamento firme e ação efetiva da Secretaria da Cidadania e demais órgãos municipais.

A APOLGBT SÃO CARLOS, apresenta condolências sinceras aos familiares e amigos enlutados.

Amanda Rios, sua memória e luta permanecerão conosco.

Juntos, vamos vencer as estatísticas! Vamos lutar por vidas dignas e seguras para todas as pessoas LGBTQIAPN+

Em respeito e solidariedade,

APOLGBT São Carlos"

Fonte: G1 SÃO CARLOS

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